Seja bem-vindo(a) em nosso site oficial Itabira (MG), 08 de maio de 2026

07/05 Notícias em Geral A crise da fé nos tempos atuais e o papel da Igreja
Compartilhar

O Ensino Religioso pode constituir-se como a edificação de uma vida interior cujo propósito se concentra na recuperação dos autênticos valores humanos cristãos católicos, alicerçados na Paz de Jesus Cristo: “Deixo-vos a Paz, dou-vos a minha Paz” (João 14, 27).

O Papa Leão XIV, em 25 de abril de 2026 (sábado), na Sala Paulo VI (Vaticano), definiu o ensino religioso como um “trampolim” para o diálogo interior dos jovens, em audiência com professores de religião católica. Ele enfatizou o valor cultural intrínseco do catolicismo para o Ocidente, defendendo que o Estado laico deve considerar a religião como um recurso educativo para a formação de cidadãos probos (pessoas honradas, íntegras, honestas e de conduta irrepreensível, que não se corrompem).

Ensinar requer amor e paciência, respeitando o tempo do aluno e buscando testemunhas credíveis, não respostas prontas, priorizando o Amor e a Verdade. O Papa Leão XIV (Sir Robert Francis Prevost), o primeiro norte-americano, escolheu esse nome para honrar o legado social e educativo de Leão XIII (Rerum Novarum), atualizando essa perspectiva para os desafios de 2026.

Na encíclica Militantis Ecclesiae (1897), Leão XIII defende o ensino religioso não como disciplina isolada, mas como alicerce de todo o currículo. Ele afirma: “É necessário que não apenas em certas horas se ensine aos jovens a religião, mas que todo o restante da formação respire a piedade cristã.” Para o Papa, separar o ensino das ciências (história, matemática, etc.) da moral religiosa tornaria a escola um “instrumento de corrupção e leviandade”, perigoso para a formação do caráter.

O Ensino Religioso é um campo pedagógico focado na compreensão do fenômeno religioso em suas dimensões histórica, cultural, ética, simbólica e espiritual, visando a formação integral. Sua vasta abordagem inclui a rica tradição católica de transmissão de dogmas. O objetivo é promover conhecimento, reflexão crítica e respeito à diversidade de crenças.

O Ensino Religioso edifica a vida interior, recuperando autênticos valores humanos cristãos católicos baseados na Paz de Jesus Cristo (“Deixo-vos a Paz, dou-vos a minha Paz” – João 14, 27). A disciplina estuda a dimensão transcendental humana e questões essenciais (finalidade da existência, realidade divina, interpretações culturais do transcendente), integrando-se às Ciências da Religião e dialogando com filosofia, sociologia, antropologia e história.

O Ensino Religioso escolar busca o respeito à diversidade, a ética e o diálogo inter-religioso. No Brasil, a LDB estabelece sua natureza facultativa, vedando o proselitismo (desde que não configure ataque ou discriminação) e garantindo-o como disciplina de matrícula opcional no ensino fundamental público (Lei nº 9.475/1997).

A Igreja Católica, através do Código de Direito Canônico (cânones 796-806), garante a diversidade cultural e estabelece o direito primordial dos pais na educação dos filhos. A escola é um auxílio, devendo os pais ter liberdade para escolher instituições que ofereçam educação católica ou não se oponham à Fé Cristã. O ensino religioso católico, mesmo em escolas não católicas, está sob a autoridade da Igreja. O Bispo diocesano e as Conferências Episcopais (como a CNBB) são responsáveis por regulamentar, vigiar e garantir a integridade desse ensino.

Professores de religião em escolas católicas devem se destacar por doutrina correta, testemunho cristão e competência. O ensino religioso deve ser integrado à formação. A Igreja tem o direito inato de criar e dirigir escolas para a formação integral dos fiéis. Catequese e ensino religioso diferem fundamentalmente em objetivo e público.

A catequese visa o amadurecimento na Fé de Jesus Cristo, a santidade e a recepção dos sacramentos (Batismo, Eucaristia, Crisma) por meio do encontro pessoal e do anúncio do Evangelho (do grego κήρυγμα, kḗrygma). Realiza-se na Paróquia ou Comunidade de Fé e é direcionada a quem busca professar e vivenciar a Fé (crentes ou catecúmenos), exigindo uma resposta de vida e participação na Igreja.

O ensino religioso escolar foca em conhecimento acadêmico e cultural das religiões, analisando seu papel histórico e social, visando o respeito e a tolerância, sem intenção de conversão. É disciplina curricular acessível a todos, devendo respeitar a diversidade e evitar preconceitos e ideologismos. O Catecismo da Igreja Católica trata a transmissão da Fé de Cristo e o dever de educar, não o Ensino Religioso como disciplina técnica.

Nos itens que se seguem: – A Natureza da Transmissão da Fé (CIC 4-6); Diálogo com outras Religiões (CIC 839-845); Educação Moral – O “Caminho da Vida” (CIC 1691-1698); O Direito e Dever dos Pais (CIC 2221-2226); Educação para a Verdade e Liberdade (CIC 2223); O Papel das Instituições (CIC 2231).

No pensamento católico atual e nos documentos da Igreja, a crise da Fé não tem uma causa única, mas é fruto de uma combinação de fatores culturais e sociais, tais como: o Secularismo e “Eclipse de Deus” (como se Deus não existisse – indiferença); o Cientificismo (Diferente de Ciência – a única verdade válida é aquela que pode ser provada em laboratório);

A crise da fé se deve à Ditadura do Relativismo (ausência de Verdade absoluta), ao Consumismo/Hedonismo (busca por prazer/ter em vez de ser/transcendente, levando a um “vazio existencial” preenchido por entretenimentos), à Crise de Credibilidade/Escândalos (fatores internos), ao Subjetivismo Religioso (Religião “à la carte” e “cristão desigrejado”: crê em Deus, mas não na Igreja, ou ignora os Mandamentos e as Bem Aventuranças) e à Cultura do “Imediato”.

A Fé infundida por Jesus Cristo exige recolhimento, perseverança e introspecção, bem como a decisão consciente de amar e perdoar. Em um contexto global de interconexões digitais imediatas e de satisfação célere (caracterizada pela rapidez e eficiência na concretização de um resultado, pagamento ou direito reconhecido), a disciplina espiritual afigura-se como um desafio considerável à sua observância. Para aqueles que a abraçam com seriedade, ela se manifesta como uma espécie de martírio ou, efetivamente, conduz às vias do martírio contemporâneo.

“Ó Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, Tu que és a Sede da Sabedoria e o modelo perfeito de humanidade plenificada pela Graça.   Apresentamos a ti a nossa necessidade de uma formação profunda e verdadeira. Pedimos que nos ajude a educar não apenas a nossa mente, mas também o nosso coração, para que cada pensamento, palavra e ação reflitam a Luz do teu Filho.   Mãe Educadora, ensina-nos a cultivar as virtudes humanas: a paciência para ouvir, a fortaleza para enfrentar os desafios, a temperança em nossos desejos e a justiça em nossas relações.

Que a nossa formação humana seja o solo fértil onde a semente da Fé católica possa crescer e dar frutos de santidade.  Afasta de nós a tentação da mediocridade e do conhecimento vazio. Que o nosso aprendizado nos leve sempre ao encontro do próximo e à construção do Reino de Deus. Faz-nos dóceis ao Espírito Santo, para que, seguindo o teu exemplo de ‘faça-se em mim’, possamos ser cristãos maduros, coerentes e apaixonados pela Verdade. Amém.”

Diácono Adelino Barcellos Filho – Diocese de Campos/RJ.

Vatican News
Imagem capa: Pixabay